Texto por: Aneth Silva & Luefe Khayarikilandukuli, dança tradicional ballet

Dos mais antigos grupos de dança do país, galardoado diversas vezes, tanto nacional como internacionalmente, doptado de história, identidade, ritmo, instrumentos e homenagens, assim é o Ballet Tradicional Kilandukilu.
Fundado em Luanda, no bairro Maculusso, há, precisamente, 32 anos, o elenco começou voltado apenas para a recreação, mas hoje é um dos poucos que sente e vive a necessidade de preservar as danças folclóricas e tradições de Angola, pesquisar, recolher e estudar as manifestações culturais do seu povo.

Kilandukilu significa divertimento, em Kimbundu, e é com este espírito de diversão e amor à arte, em especial à música e à dança, que o grupo se apresenta-se com mais de dez obras no mercado, sempre incluindo instrumentos tradicionais, como batuque, ngongue, ngaietas, reco-reco, apitos, marimbas, chocalhos, djembés, mondo, etc; ou, até mesmo, efeitos sonoros, como barulho de água a escorrer ou do vento feitos pela boca e assobios.

Devido às dificuldades, que não são poucas, sem apoio de qualquer Instituição pública ou privada, embora tenha alguns apoios circunstanciais e muitas promessas, em alguns momentos, esteve prestes a abraçar a desistência, mas o desejo de vencer foi maior e porque acredita no país, o grupo mantém-se de forma determinada, ressalvando a paixão que continua bem viva até hoje. Assim, repartido em três, entre as cidades de Luanda, Uíge e Lisboa (Portugal), e mantendo também um projecto com mais de 50 integrantes, dentre eles técnicos, professores, coreógrafos, bailarinos e instrumentistas, em Recife, no Brasil, com a parceria de uma organização não-governamental denominada Pés no Chão, o grupo continua em pé.

Sobre esse grupo, que representa a dança tradicional angolana, como nenhum outro, não é preciso apoiar-se em argumentos soberbos para fazer perceber que é composto de pessoas com garra, mangolés de verdade, com sangue bantu na veia, e que correm com gosto atrás dos objectos que almejam, mesmo em circunstâncias adversas. Por essas e outras razões, já pisaram em mais de trinta palcos internacionais, representando o melhor de que Angola tem no quesito da dança.

Dentre os países, por onde o Kilandukilu passou, destacam-se: Alemanha, Suécia, Polónia, Zimbabwe, Marrocos, Cuba, Costa-Rica, Nicarágua, Índia, Coreia do Norte, Singapura, Qatar, Israel, Coreia do Sul, França, Argentina e Turquia. No entanto, o palco que representou um dos maiores desafios para o grupo foi o da África do Sul, aquando da participação no Festival Internacional Eisteddfod Of South Africa, em 1995. No referido festival, com carácter extremamente competitivo, uma má interpretação do regulamento quase levou o grupo a desqualificação; esse facto forçou-os a fazer uma readaptação das obras que levava para a competição, tendo conseguido, no final, dois diplomas de ouro e duas taças, vindo a ser considerado o melhor Grupo Africano.

Os mais recentes palcos em que o Kilandukilu actuou foram no Japão e Itália, com o grupo que reside em Angola e no Brasil, e no Vietname e Luxemburgo, com o grupo que reside em Portugal. Em Angola, destaca-se o espectáculo no Cine Tropical. Entretanto, num outro nível, os bailarinos do grupo participaram – com ginastas, actores e outros grupos convidados – no Musical da LAC 2015 cuja elaboração, adaptação, concepção, coreografia e direcção de actores foram da responsabilidade de Maneco Vieira Dias, professor, investigador, estudioso da cultura Angolana – sobretudo a dança e a música – e director do Ballet Tradicional Kilandukilu.

Com largos anos de dedicação à dança, à divulgação da cultura do nosso país, à luta pelo reconhecimento das matrizes verdadeiramente angolanas, terá, o Kilandukilu, conquistado o prestígio aos olhos dos apreciadores e peritos em arte em Angola?

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Nas palavras de Maneco Vieira Dias, “O grupo gostaria de poder realizar dois espectáculos por ano, mas falta-nos meios e, para se ter uma ideia, ainda há dívidas para honrar do último que foi feito em 2015. Ainda assim temos participado em actos cuja iniciativa é de outros”. Deste modo, fica clara a evidência de que, “o reconhecimento ainda não tem a dimensão do que o Kilandukilu tem feito ao longo destes anos de carreira”.

O Kilandukilu, pelo seu currículo, mostra que já fez e poderá fazer muito pela identidade angolana, particularmente pela dança. Actualmente, quase já não faz o que sempre soube, o que não deixa de ser inquietante para os seus membros e sua direcção e deveria ser, também, para qualquer apreciador de danças folclóricas, bem como para as entidades culturais, como principais veladores da preservação da identidade nacional.

Palavra &Arte

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