Medir a presença da mulher no teatro pode pressupor medir a afirmação de poder e da sua aceitação nas diferentes divisões sociais. O percurso histórico do teatro apresenta em sua fase inicial a presença masculina como única e exclusiva, desde a Grécia e Roma antiga, bem até a época medieval só os homens podiam representar. Essa presença masculina chegava até a interpretar personagens e papeis que hoje são desempenhados por mulheres. Personagens femininos eram apresentados por homens com máscaras. A presença da mulher começa somente a partir do século XVII, com Therese du Parc sendo o primeiro nome feminino apontado na história do teatro.

Muito diferente da conquista histórica das mulheres, a sua presença tem sido feita com desafios de outras proveniências, foi a isto que se desafiaram a reflectir cinco mulheres do teatro nacional na sétima edição do Há Teatro no Camões, um evento realizado em torno de temas e desafios do teatro nacional.
É levantado na mesa, além dos vários papéis sociais, o de mãe, o de esposa, a questão das decisões de entrar no teatro, afirmação destas neste cenário aritistco, a capacidade de liderança e de produção artistica. Adiante, o essencial de cada tópico.

Na questão das decisões que estas têm enfrentado. Muitas vezes forçadas por seus parceiros, as mulheres são postas a escolher entre manter a relação e o teatro. Carla Rodrigues, do grupo Pitabel e directora artística do Ciclo Internacional de Teatro, apresenta seu percurso mencionando o desafio que foi posto de escolher entre o desporto, outra sua paixão, e o teatro. Estas imposições, variando entre a família, parceiros e amigos, são raras vezes bem fundamentadas, muitas delas alegando estar a mulher exposta ou sujeita a envolvimentos extraconjugal pela proximidade que possa criar no acto da representação.

Optimista, a pesquisadora e professora Agnela Barros defende uma situação gradativamente positiva a da mulher angolana quer no teatro quer nos cargos públicos, citando os rankings internacionais que mostram a posição de mulheres na vida política do país. A própria mulher, em alguns casos, é ela quem desiste do teatro. Derivado das ocupações e cuidados a prestar com os filhos.

A capacidade de liderança da mulher não está, como se pode presumir, exclusivamente ao facto de possuir habilidades que a ajudam a gerir, por exemplo, a família e sim pelas capacidades de lidar profissionalmente com questões exigidas pela dinâmica dos grupos. Em termos pragmáticos, ainda é raro associar-se a posição administrativa feminina no teatro, a posição confiada muitas vezes é o de financeira.É escassa aceitação para cargos de encenação, direcção, por exemplo.

Na perspectiva de produção, um aspecto com abertura acrescida,“a mulher consegue trazer, dada a sua sensibilidade, um olhar especial a temas como o amor ou a violência”, a abordagem pode ser diversificada como afirmou Carmen Zita Moreneo, que apresentou, na noite anterior ao debate, seu livro A Empresa na Cultura, sobre gestão cultural.

Luamba Muinga

Estuda comunicação (actuando em Design da Comunicação). Aprecia o estilo alternativo e minimalista. Apaixonado por música, preferencialmente alternativa e rock. Interessa-se facilmente por coisas desafiadoras.
Dedica-se a vários projectos ligados a comunicação visual e digital, ao mercado editorial e literário, ao teatro, ao jornalismo cultural e produção cultural, ao empreendedorismo e economia criativa; na qualidade de artista, na poesia, prosa e teatro.

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