“Minha Gente” foi a etiqueta que congregou olhares atentos num só espaço – ELA, Espaço Luanda Artes –, no passado dia 17 de novembro. O ambiente embalado por uma sonoridade tipicamente angolana propiciava o estado de espírito necessário para se absorver a proposta do artista.

GUIZEF é o nome do protagonista. Um artista autodidacta que descreve a si mesmo como resultado da persistência das pessoas ao seu redor que reconheceram nele um talento do qual o mesmo não tinha consciência.

A obstinação dos  que insistiam que a sua arte merecia maior destaque, unida a uma vocação natural para mergulhar no labor artístico, foi o combustível que alimentou a paixão que o levou para aquela exposição.

A mulher foi o personagem principal das telas. Segundo o autor, não há outro ser que condessa melhor a africanidade. Porém, não custou muito para revelar outra motivação: a sua esposa. Esta, segundo ele, é a motivação central de toda sua obra.

Ampliando o foco ao aspecto técnico que, provavelmente, o induziu à escolha da mulher como personagem principal, intui-se que a maternidade tenha relação directa com a maneira que o autor entende África.

Em conversa concedida, com exclusividade, ao Palavra&Arte, GUIZEF revelou-nos que entende que o resgate da essência africana é uma prioridade em seus trabalhos, para que a África contribua com o seu ponto de vista para o engradecimento do património cultural universal; e, também, para que o africano possa se reconhecer nisso.

A partir de gestos simples do quotidiano, o artista tentou congelar a efemeridade que carrega mensagens que só uma tela pode transmitir. Assim, a amamentação, a labuta diária da mulher do espaço rural expressavam a intimidade e o empenho que deve conectar África e os africanos.

O evento foi prestigiado por grandes figuras do mercado cultural africano e por um público jovem que tentava desvendar as obras.

Além das pinturas, havia, também, esculturas. Estas, com autoria comparticipada.

Com este passo dado, GUIZEF cimenta o seu espaço dentro das artes plásticas feita em Angola.

Abaixo, algumas fotos da exposição feitas por Bruno Miguel

 

Isis Hembe de Oliveira

Uma pessoa em construção e de poucas identificações. Nascido em Angola, na província do Cuito, contudo se vê como um cidadão do mundo. Introduzido ao mundo das artes, formalmente, pelo hip hop em funções de MC; hoje tem um horizonte de atuação no campo artístico que sai desde interprete de violão clássico/fingerstyle à escrita.

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